Como as cores dos carros influenciam no preço de revenda

Como as cores dos carros influenciam no preço de revenda

A cor do veículo é uma questão que se reflete na desvalorização que seu carro pode sofrer com o passar do tempo

A hora da compra de um carro é também o momento de muitas decisões. A cor é um dos detalhes importantes que pode se refletir na venda futura do seu veículo.

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Aposte no básico

A desvalorização pode chegar a 15% em relação a outro veículo de cor diferente. Para Everton Fernandes, proprietário da Ceará Auto Shopping, o comportamento do consumidor e das fábricas automotivas mudou em relação a carros apenas de cores básicas.

Falando em revenda, Everton ressalta que a cor influencia muito. Há cliente que não gosta das cores mais fortes, vibrantes e isso pode ser um sério problema. “A regra geral é que os carros de cor preta, branca, prata, tons de grafite saiam mais e sejam mais fáceis para atender ao público”, opina.

 

O gerente da Auto Point, Júnior Rocha, ratifica que, na hora da compra, a cor é um quesito que não vai influenciar muito no preço, mas na hora da revenda isso muda. “Vai ser mais difícil vender um carro verde limão do que um preto, mas claro que há casos e casos, tem gosto para tudo”, destaca.

 

Além dos clássicos

Além das cores clássicas, segundo os especialistas, o vermelho e o azul são as cores mais valorizadas. Carros com pinturas perolizadas ou metálicas são valorizados apenas quando tirados da concessionária, onde é preciso desembolsar mais ou menos R$ 1.000. Na revenda, esse valor é desconsiderado pelo comprador do usado.

 

O executivo Jarbas Studart é adepto de carros de cores mais fortes como amarelo, roxo e vermelho. “Aqui já é possível ver carros mais diferentes, carros azuis royais, amarelos, pinks, de todo jeito, igual as ruas da Europa, onde a diversidade de cores é maior”, conta.

 

Ele lembra que antes as cores dos carros se restringiam ao preto e ao marrom. “Na década de 1990, os carros eram monocromáticos. Hoje a tendência do mercado é essa ser mais bicolores. Na hora de vender, vai ter, sim, cliente que goste daquela cor, valorizando do mesmo jeito”, defende o executivo.

 

DO INFERNO AO CÉU

Influenciado por importados de luxo, como BMW e Mercedes – que valorizaram as “roupas brancas” nos últimos anos como sinônimo de eficiência e consciência global, o Brasil aderiu à moda e esta cor perdeu o estigma de “cor de táxi”, como diz o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores do Ceará (Fenabrave-CE), Fernando Pontes.

 

“O branco não saia muito, era tachado como carro de taxista e hoje você vê na rua vários carros com cores brancas nos mais variados tipos: branco gelo, branco perolizado, branco metalizado, impulsionado pelas marcas de luxo. Carros brancos normalmente mantêm hoje cerca de 5% a mais no seu preço de mercado que um carro usado qualquer.”

Os carros mais valorizados, segundo os especialistas ouvidos pelo O POVO, são os de tons brancos, pratas e pretos, os de cores sóbrias, como são conhecidas pelo público.

As cores dourado, verde, marrom e azul turquesa podem dar um prejuízo de até 6% em relação aos valores de referência porque são coloridos e chamativos demais, e cansam seus proprietários mais rápido. Tons azuis e verdes são os que oferecem mais opções no mercado. (Eduardo Sousa, Especial para O POVO)